Morcegos

MORCEGOS: TUDO DE BOM, PRAZER EM CONHEÇE-LOS!!

Biól. Drª. Susi Missel Pacheco, especialista em quirópteros do Instituto Sauver.

Pertencem ao reino ANIMALIA, filo CHORDATA, subfilo VERTEBRATA, classe MAMMALIA e ordem CHIROPTERA, palavra proveniente do grego que siginifica keiro = mão e Ptero = asas, ou seja, animais cuja mão está transformada em asa (fig. 1).

Quem são?

O único grupo de mamíferos com voo verdadeiro (fig. 2). Outros mamíferos

como Dermoptera (colugo ou lêmur voador) e Rodentia (esquilo voador) apenas planam.

Figura 2. Morcego (acima): Glossophaga soricina. Fonte: Rejane C. Dominguez;

Colugo ou lêmur voador (abaixo à esquerda): Cynocephalus volans.

Fonte: www.flickr.com;

Esquilo voador (abaixo à direita): Pteromys momonga.

Fonte: www.saveourlog.org/fr/ encyclopedia/ species/1870.

 

Quando surgiram?

No Paleoceno Superior/Eoceno Médio, entre 55 e 40 milhões de anos. Entre os gêneros mais antigos estão Icaronycteris índex (fig. 3A), cujos fragmentos foram achados em rochas no Wyomming, EUA. As espécies Archaeonycteris trigonodon (fig. 3B), Hassianycteris messelensis (fig. 3C) e Palaeochiropteryx tupaiodon (fig. 3D) foram encontrados nos depósitos fossilíferos de Messel, na Alemanha.

No Brasil o registro fóssil mais antigo de morcego é de Mormopterus faustoi (fig. 4) que conforme Paula-Couto, em 1956, foi encontrado na Bacia de Taubaté, formação Tremembé, no Oligoceno Superior entre 28 e 24 milhões de anos. Outros morcegos fósseis brasileiros são Desmodus draculae, o morcego vampiro gigante no Pleistoceno Superior.

Quantas espécies existem? Onde Vivem?

No mundo, estima-se que a diversidade biológica seja superior 10 milhões de espécies, que sofrem algum grau de impacto, seja ambiental, climático ou humano. Entre os quirópteros mais de 1.200 espécies de morcegos no Planeta e 18 famílias, a saber: PTEROPODIDAE, RHINOLOPHYDAE, HIPPOSIDERIDAE, NYCTERIDAE, MEGADERMATIDAE, RHINOPOMATIDAE, CRASEONYCTERIDAE, MYZOPODIDAE (com ventosas), MYSTACINIDAE, EMBALLONURIDAE*, PHYLLOSTOMIDAE*, NATALIDAE*, MORMOOPIDAE*, THYROPTERIDAE* (com ventosas), NOCTILIONIDAE*, FURIPTERIDAE*, MOLOSSIDAE*, VESPERTILIONIDAE* (fig. 5).

Figura 1. Membros anteriores do homem e do morcego mostrando a transformação do braço e mão em asa. Fonte: Alexandre Keller, Ciência Hoje, 2006.

Figura 2. Morcego (acima): Glossophaga soricina. Fonte: Rejane C. Dominguez;

Colugo ou lêmur voador (abaixo à esquerda): Cynocephalus volans. Fonte: www.flickr.com; Esquilo voador (abaixo à direita): Pteromys momonga. Fonte: www.saveourlog.org/fr/ encyclopedia/ species/1870.

Figura 3. A. Icaronycteris índex. B. Archaeonycteris trigonodon. C. Hassianycteris messelensis. D. Palaeochiropteryx tupaiodon. Fonte: http://www.thefossilforum.com.

Figura 4. Mormopterus faustoi comparado a um molossídeo recente.

Foto: Leonardo S. Avilla.

A

Figura 5. A. Representantes das famílias de quirópteros no mundo: acima da esquerda para direita: Craseonycteridae, Emballonuridae, Hipposideridae, Megadermatidae, Molossidae, Mormoopidae, Mystacinidae, Myzopodidae, Natalidae; embaixo da esquerda para direita: Furipteridae, Noctilionidae, Nycteridae, Phyllostomidae, Rhinolophydae, Thyropteridae, Vespertilionidae e Pteropodidae. Nas fotografias maiores Molossidae acima e Pteropodidae abaixo.

B. Representante da família Rhinopomatidae. Fotos: Banco de Imagens BCI e Susi M. Pacheco.

Morcegos podem ser reservatórios ou transmitir doenças

Há duas doenças que costumam ser vinculadas aos morcegos: a raiva e a histoplasmose. No Rio Grande do Sul estamos estudando quais outras doenças vinculadas a fungos, vírus, bactérias, helmintos podem deixar os morcegos doentes. A doença mais frequentemente relacionada aos morcegos e a mais conhecida é a raiva, em especial, herbívora, cujo principal agente é o morcego vampiro, Desmodus rotundus. Contudo, outras espécies de morcegos cuja dieta inclua insetos, frutos, néctar, roedores, morcegos e peixes, podem transmitir a raiva e morrem desta doença. É importante salientar que qualquer mamífero silvestre (p. ex.: graxaim, bugio, mão-pelada, coati, gambá, gatos-do-mato) ou doméstico (cães e gatos, demais mamíferos não pertencentes à fauna silvestre), inclusive o homem infectado, pode ser um transmissor da raiva, através da mordida, pois o vírus está presente na saliva.

Portanto, é importante que em caso de agressão ou arranhadura, as pessoas lavem bem o local com água e sabão e procurem os postos de saúde e o auxílio médico, a fim de serem avaliados quanto à necessidade de tratamento anti-rábico (vacina pós-exposição). Cães e gatos e animais de criação (bovinos, equinos, ovinos, suínos) devem ser imunizados anualmente com vacina anti-rábica e todas as demais que lhes permitam uma vida saudável a fim de prevenir e evitar doenças. Os animais devem ter cuidados veterinários para avaliação e mesmo reforço da vacina em caso de agressão (Fotos morcego livre). NÃO ESQUEÇA: os animais de estimação precisam dos mesmos cuidados que os humanos e, portanto, as vacinas e a saúde animal devem ser observadas. Ter animais de estimação, produção ou mesmo competição, envolve amor, muito respeito e responsabilidade. Caso não possa ou não tenha tempo para dar atenção e amor ao seu companheiro animal, não os tenha !

A histoplasmose é também comumente relacionada aos morcegos, mas que não é transmitida por eles. O agente é um fungo, Histoplasma capsulatum que cresce nas fezes de morcegos, aves e outros animais ou de matéria orgânica. Pessoas que trabalham em minas, cavernas (espeleólogos), guias e turistas, além de pesquisadores podem adquirir a doença inalando os esporos do fungo. O mesmo pode ocorrer para quem trabalha em aviários (fig.)

Figura . Hifas de Histoplasma cpasulatum e virus rábico (Lyssavirus) observado atraves da técnica de imunofluorescencia indireta. No fundo, um morcego morto com fraturas cranianas e de membros além de perfuração de órgãos. Essa é a realidade mais comum encontrada nos morcegos em Porto Alegre e de municipios do RS.

Leis que os protegem!!

As principais são:

Lei de Crimes Ambientais ou Lei da Natureza - Lei Federal nº 9.605/98 - Dispõe sobre as sansões penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências (PDF).

Lei Federal n° 5.197, de 03 de janeiro de 1967 - que dispõe sobre a Proteção à Fauna (PDF)

Lei Estadual nº 11.520, de 03 de Agosto de 2000 - institui o Código Estadual do Meio Ambiente do Estado do Rio Grande do Sul e dá outras providências (PDF).

Lei Estadual nº 11.915 21 de maio de 2003 - Código Estadual de Proteção aos Animais - institui o Código Estadual de Proteção aos Animais, no âmbito do Estado do Rio Grande do Sul (PDF).